Toto Wolff e Frédéric Vasseur, os valorizados nomes da Mercedes e da Ferrari, respectivamente

Toto Wolff e Frédéric Vasseur, os valorizados nomes da Mercedes e da Ferrari, respectivamente

O saudoso comendador Enzo Ferrari eternizou uma frase que ecoa até hoje: 

"Carro bonito é o que ganha corridas", dizia.

Verdade seja dita, seus carros vencedores eram realmente belos.

E, invariavelmente, dotados de ótimos motores.

Aliás, cunhou outra frase que ficou famosa sobre este assunto:

"A aerodinâmica é para os fracassados, que não sabem fazer motores", decretava.

É claro que hoje esta frase soaria, no mínimo, estranha, para não dizer ultrapassada.

Afinal, quando Enzo a jogou aos quatro ventos, os projetistas especializados em aerodinâmica começavam a colocar as manguinhas de fora...

Se tomarmos por base a temporada de 1978, que mesmo com um convencional Cosworth V8 a Lotus colocou a Ferrari no chinelo, a turma de projetistas venceu o duelo aerodinâmica x motores...

Faça o preâmbulo para uma reflexão.

Da mesma forma que motores e aerodinâmica digladiaram por protagonismo na Fórmula 1, e na verdade ambos tiveram (e tem) seu peso, às vezes até mais que os pilotos, hoje são os chefes de equipe que passaram a vedetes.

Não serei leviano em dizer que eles não têm importância, longe disso.

Mas a mais ou menos recente onda de séries como "Drive To Survive" os colocou como personagens glamorosos.

O fanfarrão Günther Steiner, por exemplo, desfilava pelos paddocks como estrela de cinema enquanto a Haas capengava, moribunda, pelas pistas...

Até repórter experiente caiu na cilada, e ao invés de buscar entrevistados melhores, que podiam trazer informações relevantes, corria atrás de Steiner por alguma fala engraçadinha do italiano...

Ao sair, dando lugar ao sério, competente e discreto Ayao Komatso, o time norte-americano só melhorou.

Outros chefes de equipe, igualmente envaidecidos, transformaram-se em estrelas no propalado documentário engolido sem mastigação pela nova geração de fãs da Fórmula 1...

Toto Wolff, Christian Horner e Mattia Binotto.

Toto Wolff seguiu na Mercedes, que perdeu a hegemonia para a Red Bull, não por culpa dele, mas dos projetistas que erraram feio a mão nos desenhos dos carros...

Christian Horner ascendeu e foi defenestrado internamente na Red Bull e, ao sair do time, este até melhorou...

Mattia Binotto foi um zero à esquerda como chefe da Ferrari, que buscou Frédéric Vasseur e as coisas ainda não entraram nos eixos de vez.

O mais recente movimento no "tabuleiro da F1" foi dado por Jonathan Wheatley, que deixou a Audi "na mão", ao mesmo tempo em que a Aston Martin tirou Adrian Newey da função de chefe da equipe para o concentrá-lo no projeto do carro.

Tudo leva a crer que, mais dia menos dia, Wheatley se acerte com a Aston Martin, mas se esta melhorar seu pífio desempenho, não será por sua "culpa".

Isso acontecerá se a Honda melhorar seu propulsor, minimizando as inconcebíveis vibrações que provocam nos volantes dos carros de Alonso e Stroll.

A função de um chefe de equipe na Fórmula 1 é organizar a equipe, colocando as pessoas certas nos lugares certos.

Mais ou menos como aquele treinador de futebol que distribui as camisas nos treinos: amarelas para os titulares e azuis para os reservas.

No final das contas, quem resolve a parada mesmo são os jogadores.

No caso da Fórmula 1, os pilotos.

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