Para começar, uma sugestão aos muitos novos analistas brasileiros do tênis: quando falarem do João, não se esqueçam da Maria. Ou seja, quando noticiarem as façanhas do ainda adolescente João Fonseca, não deixem de lembrar os feitos da rainha Maria Esther Bueno.
Digo isso porque na única matéria histórica que vi sobre os brasileiros no grande torneio de Paris, listavam aqueles que chegaram às quartas de final, ótima classificação de João Fonseca este ano, e lá estava o nome de Maria Esther, perdido entre outros. Ocorre que a bailarina das quadras conquistou muito mais do que isso no saibro de Roland Garros.
Anote aí: em 1958, aos 18 anos, ela já alcançou as semifinais do torneio, mesma classificação obtida em 1960, 1964, 1965 e 1966. Às quartas ela chegou em 1959, 1961, 1967 e 1968. Sua melhor classificação em Paris foi o vice-campeonato, obtido em 1960, quando perdeu para a australiana Margaret Smith em três sets.
Além das disputas de simples, Estherzinha sagrou-se campeã de duplas e duplas mistas em 1960, vice-campeã de duplas em 1961 e vice-campeã de duplas mistas em 1965. Esses resultados mostram que, além de seus memoráveis títulos na grama de Wimbledon e Forest Hills (US Open), Maria Esther também era uma das melhores no saibro.
Dito isso, aplaudamos de pé João Franca Guimarães Fonseca. Vencer o multicampeão sérvio Novak Djokovic de virada e passar pelo norueguês Casper Ruud, duas vezes vice-campeão de Roland Garros, não é para qualquer um. João passou agora para 25º no ranking e é o melhor sul-americano na ATP.
Pena que no feminino, Bia Haddad, ainda procurando se encontrar, tenha perdido na estreia e agora seja a 106ª no ranking da WTA. Para compensar, chegou às oitavas nas duplas (e ocupa a 91ª posição na classificação mundial).
As maiores esperanças para o tênis feminino brasileiro, porém, vieram da chave juvenil: Victoria Barros alcançou as semifinais, enquanto Nauhany Silva chegou às quartas. Em uma ou duas temporadas creio que ambas estarão fazendo bonito entre as profissionais.
E por falar em fazer bonito, novamente peço palmas, desta vez para Luís Miguel e Leonardo Storck, ambos de 17 anos, semifinalistas da chave de juniores. Nesta sexta, Luís Miguel (ou Guto Miguel, como é conhecido) venceu Leonardo em três sets e neste sábado pela manhã enfrentará o norte-americano Michael Antonius pelo título.
Enfim, o Brasil teve uma participação marcante e auspiciosa neste Roland Garros. O torneio mostrou que João Fonseca será uma presença constante nos Slams e que logo, logo, teremos mais tenistas para quem torcer. Só espero que os muitos analistas de tênis não esqueçam o legado inspirador de Maria Esther Bueno.
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