No elevador do meu prédio há um anúncio do Campeonato Paulista com os jogadores de destaque dos cinco times mais importantes do momento. Lá estão atacantes de Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras e... Mirassol. Epa, não há alguma coisa errada aí?
Durante décadas nos acostumamos a incluir a Portuguesa de Desportos entre os grandes do Estado. Três vezes campeã paulista, duas vezes do Rio-São Paulo – isso no início da década de 1950, quando era uma das melhores equipes do País –, vice-campeã brasileira em 1996, a Lusa revelou inúmeros craques e obteve resultados estrondosos contra grandes equipes (até o Santos, campeão paulista de 1955, tomou um acachapante 8 a 0 no Pacaembu).
Equipe ofensiva, clube que construiu um belo estádio na Marginal Tietê, a Lusa parecia só crescer. Mas, aos poucos, foi sucumbindo para as dívidas e a má administração – mesmo destino do América do Rio e outros ex-grandes do instável futebol brasileiro.
Em um velho jornal de São Paulo do final da década de 1970 encontro uma matéria dizendo que Guarani e Ponte Preta já eram maiores do que o Santos. Bem, houve um momento em que isso realmente parecia ocorrer. O Guarani foi campeão brasileiro em 1978 e a Ponte sempre se classificava melhor do que o Alvinegro Praiano. Felizmente, para os santistas, o vaticínio do veterano jornalista ficou na vontade dos torcedores contrários.
Mas o perigo sempre existe enquanto há incompetência, vaidade e malversação do dinheiro do clube. Está aí o São Paulo passando por agruras, assim como Corinthians e Santos. Sobre este último, perguntei ao bem-informado amigo Nelson Cardoso até que ponto a venda de Robinho Junior para a Internazionale, por cerca de 140 milhões de reais, suavizaria a dívida do clube. Ele respondeu:
– Amigo Odir, a dívida do Santos está em um bilhão de reais. Precisa ter 24 milhões de euros só para passar o ano. Esses 140 milhões de reais seriam o valor. Tem ainda a venda do Souza, que poderia abater os custos do próximo ano. O problema são as notícias da compra do chileno, Claudinho, Rony e outros. Aí acaba o dinheiro. O ideal é baixar a dívida para 400 milhões de reais e ter um custo operacional abaixo de 300 milhões. Sem isso, fica difícil.
Pois é. Há times que são grandes por tanto tempo que nos recusamos a acreditar que podem se tornar eternos coadjuvantes. Mas é só prestar atenção na historia do nosso pobre futebol e veremos que esse pesadelo é mais real do que se pode imaginar.