Entre bombardeios, muita política, preços altos, segurança elevada, a Copa do Mundo promete ser notícia mais fora do campo do que dentro dele

Entre bombardeios, muita política, preços altos, segurança elevada, a Copa do Mundo promete ser notícia mais fora do campo do que dentro dele

Enquanto o mundo discute quem vai ganhar a Copa do Mundo de 2026, alguém tem que fazer uma pergunta muito mais incomoda.

Quem vai pagar essa conta toda ?

Há uma pergunta que ninguém faz em voz alta quando o assunto é Copa do Mundo.

Quanto custa tudo isso em pleno 2026 e ainda nos EUA, onde o custo de vida está altíssimo ?

Não somente o preço absurdo dos ingressos.

Não só os hotéis que vêem aumentos de 1.000% acima dos preços praticados nessa mesma época .

Nem o preço do avião, seja ele internacional, para viajar entre México, EUA e Canadá, mas os trechos internos também....

Tudo.

O conjunto. A conta no papel.

Porque esta Copa do Mundo já era, antes de qualquer guerra, antes de qualquer bomba, antes de qualquer estreito marítimo bloqueado no Oriente Médio, a Copa mais cara da história do futebol mundial.

Agora, com o conflito no Oriente Médio, os preços não só encareceram tudo.

Agora....ninguém sabe quanto cada coisa vai custar.

Copa do Mundo cara acima de qualquer média.

Essa é a única certeza para todos, no mundo inteiro.

Cara para o torcedor.

Cara para o jornalista.

Cara para as cidades-sede.

Cara para os comitês organizadores.

Cara para os três governos envolvidos.

Cara, imaginem...até para a FIFA!

E agora, com uma guerra que não parece não ter fim, tudo só piora.

Uma guerra que já envolve até países classificados para o torneio mundial...algo nunca visto na história das Copas do Mundo.

Bombas na Arábia Saudita, mísseis no Qatar, e claro, ataques diários já a mais de duas semanas no Irã.

Três países que pensam em tudo, hoje em dia....menos em Copa do Mundo.

E, quis o destino, essa guerra, e esses países, são a base, o centro nervoso do petróleo mundial.

E, nós no Brasil, sabemos bem, que quando o petróleo sobe, a gasolina aumenta de preço, e aí...do pãozinho de cada dia até sapatos e sacolas de plástico....tudo que já era caro está ficando , com essa guerra, ainda mais caro.

Inclusive a Copa do Mundo.

Para todos! Dos ticos Noruegueses e Japoneses, até aos mais modestos países como Haiti e Cabo Verde.

Preços triplicando em alguns casos.

Quintuplicando em outros, como os vôos internos entre cidades sede nos EUA, para o período da Copa.

Há uma pirâmide se desenhando na nossa frente, hoje, na Copa de 2026, que parece que ninguém quer mostrar com clareza.

Na base da pirâmide estão as pessoas comuns: os torcedores.

Os que mais sofrem o impacto do custo que não pára de subir.

E lá no topo da pirâmide está a FIFA.

E entre o topo e a base, cada camada dessa pirâmide paga uma conta maior do que a camada acima dela.

É assim:a base. O torcedor.

O cara comum que passou a vida sonhando em ver uma Copa do Mundo ao vivo e que agora descobre que sonhar tem um preço abusivo, que foge a qualquer lógica até para os mais ricos.

Na Copa de 1994, quando os EUA sediaram o torneio pela última vez, os ingressos custavam entre 24 e 475 dólares.

Corrigindo pela inflação de 30 anos, o valor justo hoje seria entre 50 e mil dólares, pelos mesmos ingressos.

A FIFA e os organizadores escolheram um outro caminho.

Os ingressos desta Copa chegam a 700 dólares já na primeira fase...a fase de grupos.

Que é a fase de ingressos mais barata.

Para a final, o ingresso mais barato de tribuna, hoje, custa um pouco mais de 2.000 dólares.

O ingresso de tribuna inferior para a final chega a 8.680 dólares.

Um aumento de mais de 400 por cento acima da inflação.

Há meses só se fala dos preços dos ingressos. E até nos EUA, o tema não sai da ordem do dia!

Imaginem que 68 membros do Congresso americano assinaram uma carta dirigida ao presidente da FIFA, pedindo "uma imediata revisão dos preços dos ingressos."

Os congressistas alegam que a Copa está "se transformando numa empresa de lucro que aliena os próprios fãs, os verdadeiros responsáveis por fazer do futebol um esporte tão popular."

A FIFA fez, então, uma pequena concessão.

Liberou alguns ingressos a um valor simbólico de 60 dólares, mas eles representam apenas 10 % da cota de ingressos de cada federação.

A demanda pelos ingressos superou a oferta em mais de 30 vezes. Quase 2 milhões de ingressos foram vendidos nas primeiras duas fases. Isso significa que a FIFA não precisa baixar preços.

Pode cobrar o que quiser.

E cobra.

Estacionar no MetLife Stadium em Nova Jersey, durante a Copa custará 225 dólares.Fora do Mundial o valor é de 35 dólares.

No SoFi Stadium, em Los Angeles, o estacionamento chegará a 300 dólares, durante a Copa do Mundo.

A FIFA fará a venda de ingressos de estacionamento pela primeira vez em sua história.

E a entidade também cobrará 15 % em ambos os lados das revendas de ingressos na sua própria plataforma oficial.

Ou seja: a FIFA é a única que vende ingressos. E nessa venda, a entidade ganha 15%.

Caso o torcedor queira revender o ingresso, ele só poderá fazê-lo pela plataforma da FIFA. E quando a revenda for efetuada, a FIFA cobrará mais 15%.

E os hoteis, então...

Hotéis nas cidades-sede já ultrapassam quase na totalidade os 500 dólares por noite.

Em Nova York e Los Angeles os preços chegam a multiplicar por 10 o valor normal do período, com valores médios de 600 dólares por noite.

Um torcedor que queira ir a três jogos da Copa, em diferentes cidades gastará hoje entre 9.000 e 10.000 dólares na viagem inteira.

Um torcedor com orçamento reduzido, caso conseguir ingressos baratos, não pagará menos de 3.000 dólares.

E o torcedor que quer o pacote completo de experiência premium desembolsará 45.000 dólares.

Mas há ainda o avião.

O Estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã, por onde passa 20% de todo o petróleo mundial, está no centro do debate mundial. O Irã colocou minas marítimas nas águas por onde deveriam passar cargueiros internacionais repletos de combustível.

O Estreito permanece praticamente fechado, pois o receio de ataques aos navios por parte do Irã, cresce dia após dia.

E esta situação causa pressão sobre os preços de tudo nessa Copa do Mundo.

O preço do querosene de aviação nos EUA já subiu de 2,50 dolares por litro para 4 dólares nos últimos dias.

Empresas aéreas como a Air New Zealand, Thai, Cathay Pacific e Qantas cancelaram mais de 1.100 voos.

Empresas como a AirAsia, Emirates, Thai Airways e Qatar Airways anunciaram aumentos de tarifa.

Passagens transatlânticas para o verão de 2026 podem subir entre 6 a 18 por cento, no mínimo!

E se a passagem está mais cara, e o hotel está mais caro, e o ingresso está mais caro, e o estacionamento está mais caro,, a partir de 1º de Março, tudo mudou: para pior.

Para mais caro.

E tudo ao mesmo tempo.

Acima de toda esta lista de preços caríssimos que o torcedor deverá pagar, está o segundo degrau da pirâmide.

A imprensa mundial.

O jornalista que cobre Copa do Mundo enfrenta em 2026 o custo mais alto da história para cobrir o evento.

Alimentação, hospedagem, equipamento, deslocamento entre três países com jogos separados por até 5.000 quilômetros de uma sede à outra, e, claro: passagens aéreas com querosene a 4 dólares por litro.

A indústria jornalística já vive há anos uma crise estrutural impulsionada pelo avanço das plataformas digitais. Redações cada vez mais enxutas, jornais, rádios e TVs fechando portas.

Orçamentos de viagem cortados ao mínimo.

Muitos veículos que cobriam todas as Copas anteriores agora calculam se conseguem sequer mandar um ou dois correspondentes para este Mundial.

A Copa mais cara da história é também a Copa mais cara de se cobrir jornalisticamente.

Terceiro degrau: as cidades-sede da Copa.

E aqui os números ficaram verdadeiramente alarmantes nas últimas semanas.

Cada cidade sede americana gastou entre 150 e 200 milhões de dólares em infraestrutura, segurança e logística para receber os jogos.

Além disso, a FIFA exige que as cidades cedam hotéis, pessoal, estrutura, escritórios, com equipamentos de última geração, sem nenhum custo para a entidade.

As cidades também assumem a conta da segurança, da infraestrutura e dos serviços públicos.

E ainda tem um detalhe que poucos sabem: a FIFA exigiu que todas as cidades-sede isentassem os ingressos da Copa de impostos sobre vendas.

Por exemplo, o Estado de Missouri perderá em torno de 2,9 milhões de dólares por jogo em impostos.

Impostos que normalmente financiam escolas e saúde pública.

Com seis jogos em Kansas City ( capital do Missouri ), a perda total de arrecadação local chegará a quase 15 milhões de dólares.

O Estado da Georgia perderá até 25 milhões de dólares em impostos estaduais e locais com os jogos em Atlanta, segundo o próprio governo.

E o Estado da Florida deve deixar de arrecadar 9 milhões de dólares nos jogos de Miami.

Para que se tenha um parâmetro, 12 das últimas 14 Copas do Mundo resultaram em prejuízo financeiro para os países sede.

O retorno médio para os países organizadores das três últimas Copas foi negativo em 31 por cento, no total.

Com o custo de vida alto ao extremo no Canadá e nos EUA dos últimos anos, tudo gera mais dificuldade para os comitês organizadores, mas acima de tudo para as cidades-sede.

E com a guerra,....a situação fica mais grave ainda, a 3 meses da Copa.

Boston é hoje o caso mais dramático dentre todas as cidades-sede.

O comitê organizador local tinha apenas 2 milhões de dólares em caixa até poucos dias atrás.

O orçamento total necessário para organizar o evento é de 170 milhões de dólares.

O comitê é uma organização sem fins lucrativos, criada apenas para organizar os jogos do Mundial de 2026 na região. Diferente do que muitos imaginam, ele não recebe financiamento direto da FIFA para operar o evento local.

Hoje a estrutura financeira do projeto se apoia em três fontes principais:

– recursos federais dos Estados Unidos

– financiamento do governo do estado de Massachusetts

– patrocínios corporativos privados

A cidade de Foxborough, onde fica o Gillette Stadium que recebe sete jogos, descobriu que precisava de 7,8 milhões de dólares para pagar a segurança policial durante o torneio.

Esse valor, que será gasto em 4 semanas, representa 8% do orçamento anual inteiro da cidade, que tem apenas 18.000 habitantes.

Os organizadores em Boston esperam receber aproximadamente 30 milhões de dólares adicionais vindos de patrocínios e verbas públicas.

O comitê pede cerca de 20 milhões de dólares do governo estadual para cobrir operações do evento, transporte extra e fan fests.

Sem esse dinheiro, vários planos para a Copa podem ser reduzidos ou até cancelados, dizem oficiais do comitê organizador local.

O grupo Kraft, dono do estádio e do time de futebol americano do New England Patriots, entrou com uma garantia financeira para pagar 7,8 milhões de dólares para a segurança na cidade durante a Copa....nos últimos dias antes do prazo final, 17 de março de 2026.

Boston também anunciou que seu Fan Fest terá apenas 16 dias de duração.

Bem abaixo dos 39 dias que a FIFA recomenda. E que na Philadelphia e em Houston estão cumprindo integralmente.

Nova York e Nova Jersey, por enquanto cancelaram o Fan Fest que estava planejado para o Liberty State Park.

O secretário de Jersey City disse publicamente que ficou claro que não havia maneira economicamente viável de receber dezenas de milhares de fãs no local.

Nova Jersey comprometeu 5 milhões de dólares de seu orçamento para eventos menores distribuídos por todo o Estado.

A sede de Seattle reduziu dramaticamente seu plano original.

O campus da Universidade local de 74 acres que receberia meio milhão de fãs foi substituído por quatro locais menores, espalhados pela cidade, a um custo muito menor.

Já Miami aguarda 70 milhões de dólares em verbas federais que ainda não chegaram.

O diretor operacional do comitê organizador da Copa de Miami deu um prazo final: disse que sem o dinheiro até o fim de março teria que começar a cancelar planos e eventos da Copa do Mundo na cidade.

Kansas City aguarda 59 milhões de dólares das verbas federais.

O subchefe de polícia da cidade foi enfático. Disse que o prazo final é imediato. Que a polícia precisa de tempo e logística para poder contratar horas extras e planejar a contratação e a distribuição dos agentes.

E porque esse dinheiro federal ainda não chegou.

A guerra no Irã, por sua vez, custa em torno de 1,2 bilhões de dólares ao dia, para os EUA.

O Congresso americano aprovou 625 milhões de dólares para as 11 cidades-sede dos EUA.

O dinheiro está aprovado. So que o "shutdown"(quando o Congresso não aprova o orçamento ou uma lei de financiamento temporário para manter o governo funcionando) parcial do governo americano paralisou o Departamento de Segurança Interna, o DHS, responsável pela liberação dos fundos.

A Copa começa em 11 de junho. E com orçamentos de urgência para a guerra no Irã, o dinheiro federal continua congelado.

As cidades também descobriram que nao podem contratar patrocinadores locais que entrem em conflito com os parceiros globais da FIFA.

O Bank of America é parceiro oficial da FIFA.

Então, nenhum banco regional americano pode patrocinar eventos da Copa na própria cidade.

A mesma regra vale para cervejas, seguros, cartões de crédito e telecomunicações.

O potencial comercial local foi eliminado contratualmente antes mesmo de começar.

Quase uma sentença de morte para as cidades-sede, que vivem em um mercado competitivo e aberto, mas agora com restrições da FIFA, devem pedir dinheiro ao governo federal em Washington.

Chicago calculou tudo isso antes de assinar e recusou a candidatura.

O prefeito da cidade foi direto.

Disse que não ia assinar um cheque em branco para uma empresa estrangeira colocar a conta no bolso dos contribuintes americanos.

Em Chicago não haverá Copa do Mundo.

As autoridades locais avaliaram que as exigências da FIFA criavam riscos financeiros e jurídicos para os contribuintes.

Minneapolis, Detroit e Phoenix chegaram à mesma conclusão. E ficaram sem Copa do Mundo.

Chegamos ao quarto degrau da pirâmide.

Os três comitês organizadores nacionais e os próprios países.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum anunciou um plano de segurança que prevê a mobilização de até 100.000 membros das forças de segurança durante a Copa.

Serão 20.000 militares, 55.000 policiais e 8.500 membros de empresas de segurança privada.

Tudo pago pelo governo.

O motivo deste gasto e desta tomada de responsabilidade do governo é Guadalajara.

Em 22 de fevereiro, unidades de elite do exercito mexicano eliminaram El Mencho, lider do Cartel de Jalisco Nova Geração.

A represália foi imediata e brutal. Mais de 70 pessoas foram mortas nos ataques de retaliação.

Mais de 200 voos no aeroporto da cidade, que receberá dezenas de milhares de torcedores em menos de 90 dias.... foram cancelados ou desviados por falta de segurança.

E se acontecer durante a Copa ?

Lojas e fábricas fecharam por quatro dias.

Postos de gasolina foram incendiados, bem ao lado do estádio que receberá quatro jogos da Copa.

Guadalajara recebe a Copa pela terceira vez na história, depois de 1970 e 1986.

Mas nunca antes um cartel transformou a cidade em campo de batalha três meses antes do início dos jogos.

As seleções que vão jogar em Guadalajara estão também contratando empresas de segurança para seus hotéis e centros de treinamento.

Moradores locais se mostram descontentes com a Copa do Mundo.

Os noticiários, todos os dias, trazem comentaristas que alegam que a Copa não deveria ser realizada na cidade agora.

Que os problemas básicos da cidade, como abastecimento de água, segurança, e saneamento, não foram resolvidos. Mas que dinheiro para a Copa, o governo tem para Guadalajara.

Já no Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney declarou recentemente que o país pode abandonar a neutralidade no conflito com o Irã.

Toronto e Vancouver são cidades-sede.

O Canadá é um dos três países que organizam a Copa.

E agora, eis que o Canadá fala abertamente em participar de alguma maneira nesta guerra. A menos de 90 dias do início do torneio.

Enquanto isso, nos EUA, a economia cresce mas com inflação acima de 2 % e probabilidade crescente de recessão.

O Canadá tem previsão de crescimento de apenas 1,4 % em 2026.

O México projeta crescimento que não deve passar do 1,3 % em 2026, e com uma inflação persistente.

Além da revisão do acordo comercial USMCA(EUA-México-Canadá) marcada justamente para julho de 2026, no meio da Copa.

Que deve aumentar a inflação no país.

Três países organizadores de uma só Copa do Mundo.

Pela 1ª vez na história.

Três economias sob pressão.

Uma guerra que o povo americano ainda não entendeu bem qual era a urgência dela acontecer exatamente agora, neste período pré-Copa.

Uma demonstração que o Soccer, realmente não tem importância para o país do futebol americano.

E chegamos ao topo da pirâmide.

A FIFA.

A entidade que projeta receitas de mais de 11 bilhões de dólares nesta Copa, agora virou notícia.

Virou parte da pirâmide de cortes e dificuldades financeiras.

Pois a FIFA cortou mais de 100 milhões de dólares do seu próprio orçamento operacional para o torneio.

A ordem veio diretamente da sede da entidade em Zurique.

E atingiu orçamentos de segurança, logística, transporte e acessibilidade para a Copa.

O orçamento original previa 1,12 bilhão de dólares só em despesas operacionais.

Desse total, 280 milhões de dólares para serviços técnicos, 159 milhões para transporte, 145 milhões para segurança e 79 milhões para gestão de convidados e protocolo.

Uma parte desse dinheiro simplesmente foi cortada.

A FIFA estabeleceu uma meta interna que determina que pelo menos 90 por cento do que arrecada no ciclo 2023 a 2026 seja reinvestido no futebol mundial.

O ciclo projeta investimentos totais de 12,9 bilhões de dólares. Para atingir essa meta, a entidade aperta os custos operacionais e transfere o peso para as cidades e para os torcedores.

A FIFA ainda disputa com as cidades sede quem é responsável por ajudar um torcedor com necessidades especiais a chegar do estacionamento até a entrada do estádio.

A FIFA diz que sua responsabilidade começa no perímetro do estádio.

Algumas cidades discordam.

Esse impasse já cria risco concreto de processos judiciais.

Assim funciona a pirâmide.

O torcedor paga o ingresso mais caro da história.

O jornalista tenta fechar orçamento para cobrir um evento espalhado por vários países gigantescos.

Foxborough tem que pedir doações para pagar 7,8 milhões de dólares para garantir policiamento durante o Mundial.

Kansas City espera 59 milhões congelados em escritórios do governo federal, hoje mais ocupado com a guerra que com a Copa do Mundo.

A cidade e o comitê organizador da Copa em Miami tem que dar um ultimato e um prazo final para receber urgentes 70 milhoes de dólares.

Seattle reduz pela metade seus planos para eventos da Copa.

Nova York cancela seu maior Fan Fest.

Guadalajara enterra seus mortos e promete segurança governamental para os torcedores.

E o Canada pensa em entrar na guerra contra o Irã.

E a FIFA, no topo de tudo isso, corta 100 milhoes do orçamento operacional.

Nunca na história das Copas do Mundo isso aconteceu.

Com o pano de fundo de uma guerra ativa envolvendo países já 4, 5 e quem sabe até 6 seleções classificadas para o maior evento do planeta: a Copa do Mundo de 2026.

Nunca antes bombas caíram sobre campos de treinos de seleções que, em menos de 90 dias, devem estar prontas para uma competição para a qual se prepararam mais de 3 anos.

Entre bombardeios, muita política, preços altos, segurança elevada, a Copa do Mundo promete ser notícia mais fora do campo, do que dentro dele.

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